Carpegiani: ‘Tenho qualidade para vencer o Barcelona’


Comandante são-paulino completa neste domingo 100 jogos à frente do clube e fala com exclusividade ao LANCENET!


Carpegiani recebeu a reportagem do LNET! na sala de imprensa do CT (Foto: Ari Ferreira)

Paulo César Carpegiani não se autoavalia como um grande técnico, mas destaca o dom da observação como sua maior virtude. Em suas palavras, vive e respira futebol por 24 horas, seja no CT do São Paulo, onde inicia seu trabalho logo pela manhã, ou em casa, em frente à TV.

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A obsessão desse gaúcho de Erechim é enorme ao ponto de se achar capaz de vencer o temível Barcelona, apontado como o melhor time do mundo atualmente.

A doação só não é total ao futebol graças à marcação cerrada de Zeni, sua esposa há quase 40 anos. Por causa dela, Carpegiani costuma tirar longos períodos de folga quando deixa um clube.

– Eu me entrego demais. Por isso trabalho espaçosamente, às vezes dou uma parada, fico dois anos fora – explicou, ao receber o LANCENET! na última sexta-feira, para depois comparar sua obstinação ao do maior ídolo dos são-paulinos: o goleiro Rogério Ceni.

Neste domingo, Carpegiani faz seu centésimo jogo como técnico do São Paulo, somadas duas passagens – a primeira foi em 1999. Uma vitória contra o Oeste, em Mogi Mirim, pode lhe dar a liderança do Paulistão na última rodada da primeira fase, desde que o líder Palmeiras tropece diante da Ponte Preta. Antes, concedeu esta entrevista exclusiva no CT da Barra Funda.

LANCENET!: Você está no ramo há muito tempo. Ainda é prazeroso conversar sobre futebol? Dá para contar alguma novidade?

Carpegiani: Você fica dias falando de futebol e sempre tem assunto. Muitas vezes, não tem novidade, pois o futebol é, na verdade, uma repetição.

O técnico, então, luta diariamente contra essa rotina?

As coisas vão se repetindo, você vai vivendo o dia a dia, se atualiza em busca de resultados, aprimora sua equipe, que sempre tem coisas a melhorar. O São Paulo, por exemplo, ainda tem muito a aprender.

Como define um treinador?

O futebol é uma complexidade. Você tem de ter ciência de uma série de coisas, assuntos importantes, desde a parte psicológica, pois futebol é psicologia total. Por que um jogador joga dois ou três jogos mal?

Você pode nos dizer…

Porque ou ele está enfrentando problemas fora do campo ou se deixando impressionar pelo o que a imprensa fala, por exemplo. Viu no jornal que recebeu nota ruim e vem para o treino desmotivado. Isso mexe com a autoestima do atleta.

Mas você estuda psicologia?

Temos um psicólogo, que os trabalha individualmente. Em cima disso, procuro incentivar meus jogadores, trato eles com intensidade, as mesmas condições para todos. Todo mundo: do goleiro ao ponta esquerda, trato todos iguais.

L!: Funciona muito diferente da sua época de jogador?

Os jornais também davam nota, mas tem de ter autoconfiança. Às vezes, o cara que deu a nota não sabe o que é uma bola e se expressa.

O futebol mudou muito?

Não sou saudosista. Futebol está mais competitivo, mais disputado. Você não tem espaço. Nesse aspecto, evoluiu. Fisicamente também.

Você é um bom treinador?

Modestamente, não sou um grande treinador, mas sou muito bom observador. Acima de tudo, sei reconhecer as características de um jogador de futebol e tirar o máximo de proveito disso. Isso sei fazer.

Já falamos muito de futebol. Há outro assunto sobre o qual podemos falar por muito tempo ainda?

Estou tão acostumado com futebol, vivo e respiro, e não saberia fazer outra coisa. Sinto-me bem preso ao que faço. Existe desgaste, me entrego demais, 24 horas por dia.

O que faz quando está parado?

Sinto-me um passarinho fora da gaiola. Quando estou dentro, me sinto preso. Faço as mais diversas coisas. Mas é complicado, quando você tem essa adrenalina de competir, sente vontade de voltar.

Mas tão aficionado assim, a esposa não reclama?

Reclama, por isso que ela não quer deixar eu continuar. Sempre faço uma promessa, que vou parar. Há muito tempo ela cobra isso, mas, com a ajuda dos filhos, consegui “enganá-la”. Cada vez que pego um time é um parto (risos).

E nunca houve problema?

Ah, não houve separação até agora pela durabilidade do casamento, que já tem quase 39 anos (risos).

E no começo de sua carreira como técnico, em 1981, pelo Flamengo, ela já não reclamava?

Estava no início, ela não reclamava ainda, nos casamos em 1972. E tenho parado de vez em quando.

Já pensa em aposentadoria?

Pela minha família já tinha parado. Estou nesse meio, gosto de viver, mas não sei. Não me estresso se não estou no futebol, quero voltar, mas já consigo viver sem, estou preparado. Quando parar, parei e pronto, vou observar as coisas boas, ruins e vou continuar caminhando.

O que vê na televisão?

Vejo de tudo. Programas esportivos, informativos. Gosto de ver tudo de esporte. Adoro ver tênis, vôlei, basquete, Fórmula 1. A mulher me dá bronca, porque às 3h, 4h, estou acordado para ver Fórmula 1 (risos). Agora não mais, porque não temos por quem torcer.

Não tem ídolos, é isso?

Temos Felipe Massa, que admiro muito, sujeito muito correto, mas não está disputando os títulos. Gostaria que ele estivesse vencendo, porque desmotiva torcer quando não temos brasileiros vencendo.

Também assiste à futebol?

Muito (risos). Vejo de tudo, automobilismo, que adoro, tênis, basquete, vôlei, mas me delicio vendo uma partida de futebol e identificando a maneira de os times jogarem. Como um adversário se impõe ao outro, me delicio com isso.

Como assim?

Impondo-se, significa que tem domínio de jogo, ter a bola, e, com isso, mais possibilidade de ganhar. Você vê o Barcelona, que fica totalmente com a bola. Pode perder, no contra-ataque, mas é esporadicamente. Futebol é uma maneira de jogar sobre a outra. Prefiro sempre perder como o Barcelona, se impondo.

Gostaria de jogar como o Barcelona?

Mas você não consegue. Sabe por quê? Porque tem Messi e as características dos jogadores se encaixam, formam um conjunto. Cada posição tem um craque. Se Guardiola (técnico do Barcelona) deixar, fico na beira do campo, e faço jogar, sem mexer em nada (risos).

Acha que poderia ganhar do Barcelona com seu time atual?

Tenho qualidade para isso (risos). Agora, tem um cara que desequilibra demais, que é o Messi. Ele joga tudo. Não poderia fazer nele marcação especial.

Até onde acha que Rogério Ceni pode chegar?

Toda hora ele me diz que vai mais um pouquinho. Rogério é interminável. O que ele representa para o São Paulo é muito e tenho consciência disso. Na formação do meu time, se não o coloco, não é o São Paulo, fica descaracterizado. Posso colocar dez juvenis, mas tem de ter Rogério. Ele tem de estar.

Ele cobra faltas melhor do que Zico cobrava?

Aí é difícil, tchê! Eu considerava Roberto Dinamite o melhor. Zico era certeiro, fantástico. Mas acho que vou colocar empate, porque Rogério é fantástico também. É difícil você definir, os dois são altamente técnicos, Zico batia de um lado, do outro, Ceni também.

Carpegiani cobrava bem?

Eu era horrível nisso (risos).

E quando Rogério parar?

Ele está bem, sou incentivador dele, tem de prosseguir. Se disser: “Vou parar daqui a seis meses”, será terrível para o são-paulino. Quando chegar a hora, tem de chegar aqui no CT no dia e dizer: “Pronto, parei!”. Aconselho a fazer isso senão vai matar muita gente por antecipação (risos).

Vocês se parecem nesse ponto de viverem futebol, né?

Rogério se assemelha bastante a mim, ele também não sabe perder. Já falamos sobre isso. Às 6 horas ele já está aqui, para o treinamento. Não sei perder, fico louco, não admito. Mas logo consigo motivação. A vida prosegue, logo passa, mas você nunca esquece, você encontra motivação.

Qual esposa reclama mais da dedicação ao futebol: a de Rogério Ceni ou a sua?

Não sei qual reclama mais, mas a minha é má, minha luta é ingrata (risos). O único jeito de acalmar isso é quando paro, fico dois ou três anos afastado. Aí volto, mas pode ser que uma hora não volte mais. Está chegando a hora.

Lucas pode ser um novo ídolo para o São Paulo?

Lucas é uma realidade. Tem caracteristicas espetaculares, que é a velocidade, consegue unir com a jogada pessoal. Tem de amadurecer na marcação porque vai ser muito caçado em campo.

FONTE:

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